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FSKit: como os apps acrescentam sistemas de arquivos ao macOS

Durante décadas, um novo tipo de disco no Mac exigia código dentro do kernel. O FSKit deixa um app comum fazer isso, e o macOS 26 ampliou o que esse app pode montar.

O FSKit é o framework da Apple para sistemas de arquivos feitos por apps. O app traz uma pequena extensão, a extensão roda no espaço de usuário como qualquer outro processo, e o macOS monta o que ela oferece como um volume no Finder. Antes do FSKit, um sistema de arquivos de terceiros exigia uma extensão de kernel, o que, num Mac com Apple Silicon, também significava baixar a segurança do Mac na Recuperação.

O FSKit chegou no macOS Sequoia 15.4, em março de 2025, para sistemas de arquivos que ficam num disco. O macOS 26 acrescentou dois novos tipos de origem, um caminho e uma URL, então agora um sistema de arquivos pode vir de uma pasta, de um servidor ou de um aparelho na outra ponta de um cabo. Para você, usar um deles se resume a uma única chave nos Ajustes do Sistema: Geral > Itens de Início de Sessão e Extensões > Extensões do Sistema de Arquivos.

O que um sistema de arquivos faz

Todo volume num Mac tem um sistema de arquivos por trás. Quando o Finder lista uma pasta, ou um app abre um arquivo, o macOS pede a esse sistema de arquivos nomes, tamanhos, datas e bytes, e ele responde a partir de onde quer que os dados estejam: uma partição num SSD, no caso do APFS; um cartão de memória, no caso do exFAT; um servidor, no caso do SMB.

Um módulo FSKit é essa parte que responde, empacotada como uma extensão dentro de um app. A documentação da Apple o chama de FSModule e descreve três ideias: um recurso, de onde vêm os dados; um contêiner, que transforma um recurso em volumes; e o próprio volume, as pastas e os arquivos que você vê. O FSKit liga o módulo às partes do macOS que já cuidam de discos e montagens, entre elas o Disk Arbitration e o comando mount. Por enquanto, o FSKit só aceita o desenho simples, um recurso gerando um volume, que, como a Apple observa, é o padrão da maioria dos sistemas de arquivos do próprio Mac.

Antes do FSKit: extensões de kernel e o macFUSE

Uma extensão de kernel roda dentro do kernel, o núcleo do macOS, com acesso total à máquina. Um bug nela pode derrubar o Mac inteiro. A Apple não as recomenda mais, e num Mac com Apple Silicon toda extensão de kernel de terceiros vem bloqueada. Para liberar uma, é preciso desligar o Mac, iniciar na Recuperação, abrir o Utilitário de Segurança da Inicialização, escolher Segurança Reduzida e marcar Permitir o gerenciamento de usuário das extensões de kernel de desenvolvedores identificados, depois aprovar a extensão e reiniciar outra vez.

O macFUSE surgiu em torno disso. Ele é uma única extensão de kernel que permite a muitos sistemas de arquivos rodar como programas comuns por cima dela, e foi assim que muitos sistemas de arquivos de terceiros chegaram ao Mac durante anos. A extensão de kernel continua sendo o padrão dele. Desde a versão 5, o macFUSE também oferece um backend FSKit, que dispensa a extensão de kernel e qualquer mudança na Recuperação. A própria documentação do macFUSE lista o que esse backend ainda não faz, entre outras coisas pontos de montagem fora de /Volumes, e diz que os volumes FSKit dele não têm o mesmo desempenho que os de kernel.

A Apple vem levando os próprios sistemas de arquivos pelo mesmo caminho. No macOS Sonoma, ela tirou o exFAT e o FAT do kernel e os passou para serviços que rodam no espaço de usuário.

Extensão de kernelMódulo FSKit
Onde o código rodaDentro do kernelNo espaço de usuário, como extensão de app
Um bug pode derrubar o Mac inteiroSimNão, mas um módulo travado pode bloquear montagens até reiniciar
Recuperação e Segurança Reduzida no Apple SiliconObrigatóriasDesnecessárias
Venda pela Mac App StoreNãoPermitida
Onde se ativaNo Apple Silicon, na Recuperação, depois nos Ajustes do Sistema, depois reiniciandoNos Ajustes do Sistema, uma vez por conta de usuário
Disponível desdeO primeiro Mac OS XmacOS 15.4, com caminhos e URLs a partir do macOS 26
Os dois jeitos que um sistema de arquivos de terceiros tem de chegar a um Mac hoje.

O que o macOS 26 trouxe

No macOS 15.4, o recurso que o FSKit entregava a um módulo era uma partição de disco, FSBlockDeviceResource. Isso serve para um sistema de arquivos de um formato de disco, como ext4 ou NTFS num disco USB, e esse era o foco.

O macOS 26 acrescentou mais dois tipos de recurso. FSPathURLResource representa um caminho no Mac, uma pasta ou um arquivo, e o FSKit leva uma URL com escopo de segurança, intacta, do app que pede a montagem até o módulo. FSGenericURLResource representa qualquer URL. O módulo declara no seu Info.plist os esquemas de URL que entende, e o FSKit deixa o significado da URL inteiramente por conta do módulo. Os exemplos da própria Apple são um localizador de hardware e o endereço de rede de um sistema de arquivos remoto.

É esse segundo tipo que torna um celular possível. O módulo do SideMount é montado a partir de uma URL adb:// que identifica o celular, e chega ao celular pelo cabo com o protocolo adb, o mesmo das ferramentas de desenvolvedor do Android. Não há disco em nenhum ponto dessa cadeia, e é por isso que o SideMount precisa do macOS 26 ou posterior.

Como ativar uma extensão FSKit

O macOS só roda uma extensão de sistema de arquivos depois que você autoriza. Cada app FSKit pede isso uma vez:

  1. Abra Ajustes do Sistema > Geral > Itens de Início de Sessão e Extensões.
  2. Role até Extensões e mude a lista para Por Categoria. Na visualização Por App não existe a linha Extensões do Sistema de Arquivos, e é aí que a maioria das pessoas empaca.
  3. Abra Extensões do Sistema de Arquivos e ative a extensão do app.

A chave pertence à sua conta de usuário. Um engenheiro da Apple explicou que o FSKit é construído sobre extensões de app, e extensões de app valem por usuário, então num Mac compartilhado cada conta ativa a sua. A mesma chave desativa de novo. O guia de configuração do SideMount mostra esses passos com imagens.

O que isso muda quando você usa um

Um volume FSKit se comporta como qualquer outro disco. Ele aparece no Finder, tem um caminho que o Terminal e os scripts podem usar, e qualquer app pode abrir, salvar e copiar arquivos nele. Essa é a diferença para os apps que mostram os arquivos numa janela própria, como faz a maioria dos apps de MTP, e é por isso que um celular montado assim funciona com o rsync, o Photoshop ou o VLC. Usar um celular Android como disco externo mostra como isso fica na prática.

Um hábito faz diferença. Ejete um volume FSKit do jeito normal, pelo Finder ou pelo app, em vez de forçar. O daemon do FSKit no macOS, o fskitd, pode travar depois de uma desmontagem forçada, e aí só reiniciar o Mac resolve. O FSKit também é novo: algumas coisas que um sistema de arquivos de kernel faz ainda não estão no framework, então vale dar uma olhada nas notas de cada app.

Perguntas

Qual versão do macOS o FSKit exige?

O framework existe desde o macOS Sequoia 15.4. Sistemas de arquivos que leem de um caminho ou de uma URL, e não de um disco, como um que chega a um celular ou a um servidor, precisam do macOS 26, porque esses tipos de recurso chegaram nele. Cada app informa a própria versão mínima.

Por que não encontro Extensões do Sistema de Arquivos nos Ajustes do Sistema?

A lista Extensões, em Geral > Itens de Início de Sessão e Extensões, tem duas visualizações. Extensões do Sistema de Arquivos só aparece na visualização Por Categoria; mude para ela e a linha estará lá.

O FSKit é a mesma coisa que o File Provider?

Não. O File Provider é o framework que os apps de armazenamento em nuvem usam para mostrar arquivos remotos no Finder e baixá-los quando necessário. O FSKit monta um volume de verdade, com um caminho que qualquer app e o Terminal podem usar.

É seguro ativar uma extensão de sistema de arquivos?

Uma extensão FSKit roda no espaço de usuário como parte de um app assinado, sem o acesso ao kernel que uma extensão de kernel tem, e não exige nenhuma mudança na segurança de inicialização do Mac. Ative só as de apps em que você confia; a mesma chave nos Ajustes do Sistema desativa cada uma de novo.

Seu celular Android, no Finder.

Grátis por sete dias, sem cartão. macOS 26 ou posterior.

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